top of page

Sabemos que depois que nos tornamos mães uma das maiores mudanças é a do tempo que já não é, inteiramente, apenas nosso. É uma alteração muito grande e para a qual muitas vezes não estamos preparadas.


Para mim foi um grande choque, queria manter todos os meus cuidados de beleza que tinha antes de ser mãe, mas não despendia do mesmo tempo e durante um período estive apegada a isso, o que gerava uma enorme frustração.


A medida que o tempo foi passando todos esses cuidados de beleza (colocar unhas de gel, pintar o cabelo, usar maquilhagem todos os dias) deixaram de fazer sentido. Por um lado já não tinha tempo para isso, por outro lado habituei-me a ver-me de um modo mais natural e simples, o que foi, na verdade, muito libertador. Depois de me ver mais natural não queria mais perder tanto tempo com esses cuidados.


Deixei de sentir necessidade de me agarrar a um estilo de cuidados de beleza artificiais e passei a gostar de estar o mais natural possível, valorizando produtos, também eles, mais naturais e cuidados mais simples que não me tornam-se numa escrava em busca da beleza.


Quando somos mães é muito importante continuar a cuidar de nós e a Ayurveda tem a sabedoria para o continuarmos a fazer sem precisar de muito tempo e de forma muito simples e com produtos naturais que temos em casa habitualmente.



Cuidados com a face


A Água de Rosas há milénios que faz parte dos cuidados de pele das mulheres Indianas. Também pode ser usada como um desmaquilhante.


  • A Água de Rosas tem propriedades antibacterianas e antisséticas e, acredita-se que ajude a restaurar os níveis de PH da pele e a fechar os poros. É, também, considerada anti-inflamatória e ajuda a regenerar o tecido cutâneo. A fragância natural da água de Rosas pode a acalmar o sistema nervoso, ajudando a libertar tensões .


Atenção, a Água de Rosas pura deve ser obtida através da destilação a vapor das pétalas de rosa damascena. Encontra-se facilmente nos supermercados mas as versões mais naturais com rosa damascena são normalmente mais caras que as versões mais artificias que são muito mais baratas.

Podes usar a Água das Rosas para manter a tua pele limpa e perfumada, passado suavemente com um algodão depois de lavares a tua cara com água, como habitualmente, de manhã e a noite ( ou usando como desmaquilhante).




Cuidados com o corpo


Antes de dar inicio ao seu banho tire 2 minutos ou 3 para fazer Massagem Abhyanga. Esta massagem é usada pela Ayurveda desde há milhares de anos e é uma pratica antisstress e antienvelhecimento. Esta automassagem ajuda a equilibrar a mente e o corpo, aliviar a fadiga, fornecer resistência, melhorar o sono, promover uma pele melhor e aumentar a longevidade.


  • Abhyanga é especialmente indicada para reduzir a energia Vata excessiva ou um abundância do elemento ar que se encontra muito presente na mulher após o parto (Ayurveda e o Pós-Parto | Aumento do Dosha Vata) e que pode te fazer sentir inconstante, ansiosa e desligada.


Abhyanga consiste numa automassagem feita pelo corpo todo com movimento ascendentes com uma óleo, sendo que no inverno é recomendado o óleo de sésamo porque aquece e no verão o óleo de coco porque é considerado um óleo de arrefecimento.


  • Como fazer Abhyanga - Antes do seu banho, já na banheira, comece por aquecer o óleo um pouco debaixo de água quente. Depois coloque um pouco nas mãos e espalhe bem, depois massagem todo o corpo cerca de 2 ou 3 minutos ou conforme o tempo que tenha disponível (mais ou menos). Aplique uma pressão mais leve mas áreas sensíveis, como a parte superior do tronco, a mama, o coração e a área abdominal. No abdómem massagem primeiro o lado direito e depois o esquerdo em movimento circulares para promover a digestão. Importante a massagem na sola dos pés, palmas das mãos e a base das unhas. Não esquecer o rosto, orelhas e pescoço. Se for lavar o cabelo pode, também, fazer massagem no couro cabeludo. Faça movimentos circulares nas áreas arredondadas como pés e couro cabeludo e movimentos longos e retos nos membros. De seguida tome o seu banho habitual. De seguida tome o seu banho habitual, use gel de banho apenas nas áreas que realmente necessita evitando remover por completo o óleo que restou na pele e que fica a hidratar a mesma.




Cuidados com o cabelo


De vez em quando faça uma lavagem do cabelo com vinagre de maçã para enxaguar.


  • O vinagre de maçã é um excelente produto para usar ocasionalmente para remover impurezas da água dura, sebo acumulado e acúmulo de cera dos produtos e a equilibrar o PH do cabelo.


Comece por despejar vinagre de maçã sobre o couro cabeludo humedecido no chuveiro, massagem por alguns segundos e enxaugue muito bem. De seguida prossiga a lavagem habitual.




Cuidados com as unha


Aproveite que tem menos tempo para manter as unhas ao natural e deixar que as mesmas recuperem de alguns estragos provocados pelos vernizes e pelo gel que possa eventualmente usar habitualmente.


  • Mantenhas as unhas com corte e formato que mais se adequa ao seu dia-a-dia, humedeça as cutículas e apenas as empurre para trás, cortando quando necessário. Para manter as unhas e os dedos hidratados use óleo de Amêndoas que encontra facilmente em supermercados. Hidrate as unhas com um pouco de óleo quando for conveniente durante o seu dia. Não o faça caso vá mexer em roupa ou em algo que possa sujar pois o óleo demora um pouco a ser absorvido pela pele.


Nunca se esqueça, cuida de ti enquanto cuidas do teu bebé!


Boas práticas

Namastê



Artigo baseado no Livro:


Atenção

Uma prática de Yoga não é uma terapia. A prática de Yoga não inviabiliza um seguimento médico e/ou terapêutico em nenhuma circunstância. Antes de iniciar qualquer atividade física confirme junto do seu médico ou obstetra.




 
 
 


Os ligamentos são bandas de tecido de suporte sem elasticidade que ajudam a manter as articulações juntas. Durante a gravidez as hormonas progesterona e relaxina ajudam a que estes ligamentos distendem, o que resulta num aumento do movimento de todas as articulações, sobretudo, da cintura pélvica. Este efeito pode persistir algum tempo depois do nascimento do bebé (entre 5 a 6 meses) e provocar dores nas articulações das costas e nas articulações sacroilíacas (1).


As dores nas costas após dar à luz são bastante comuns, e o afrouxamento dos ligamentos é um dos motivos. Por outro lado, durante a gravidez vários fatores contribuem para uma alteração da postura da mulher. O aumento do volume abdominal para acomodar o bebé, o aumento de peso, o aumento da mama, a lassidão dos ligamentos e, possivelmente, a forma como a grávida encara o bebé e a gravidez.



Principalmente o aumento do volume abdominal faz com que o centro de gravidade da coluna se desloque, provocando o aumento da curvatura da zona lombar, chamada de hiperlordose. Por outro lado, sobretudo devido ao aumento mamário ocorre o aumento da cifose dorsal e como compensação uma curvatura lordótica da zona cervical com a anteriorizarão da cabeça (2). Logo após o nascimento do bebé, ocorre uma mudança ainda mais rápida no peso e novo ajuste na postura e a coluna ressente-se.


As alterações hormonais que promovem o relaxamento muscular, o aumento da barriga e redução do tónus muscular abdominal, levam a uma menor estabilidade da zona lombar, podendo ainda durante a gravidez, e depois do parto provocar lombalgias.



A hiperlordose pode causar os seguintes sintomas:(3)


·Dores nas costas frequentes;

·Dificuldade para abaixo;

·Dificuldade para carregar pesos;

·Formigamento nas extremidades;

·Dores no pescoço;

·Flacidez e sensação de fraqueza nos músculos do abdômen.



Por outro lado, todos os desafios nos cuidados com o bebé podem representar uma nova exigência para a coluna da mãe. Amamentação em livre demanda e/ou alimentação com fórmula, carregar o bebé ao colo, colocar e retirar o bebé do berço, carregar a cadeira transportadora (ovo), o banho, entre outros. De acordo com a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, inicialmente as mães carregam ao colo um bebé com 3 a 4 kg cerca de 50 vezes por dia e ao fim de um ano já estão a transportar um bebé com mais de 8kg (4). Durante a amamentação e por ser um ato realizado várias vezes ao dia (a cada 1h30, 2h, dia e noite) pode levar a que a mulher adquira má postura e dores nas costas.


O aumento do volume da mama devido a lactação e a própria postura a amamentar o bebé pode levar ao fechamento do peito e contração dos músculos peitorais.


É importante a recuperação do tónus muscular abdominal para o reforço da zona lombar, reposicionamento correto, aliviando a hiperlordose e readquirindo um alinhamento vertebral mais natural. É igualmente importante ajudar a melhorar a postura, promover a expansão do peito e aumentar a consciência corporal da mulher no seu dia-a-dia, dando mobilidade a zonas com sobrecarga.


Boas práticas

Namastê


Atenção

Uma prática de Yoga não é uma terapia. A prática de Yoga não inviabiliza um seguimento médico e/ou terapêutico em nenhuma circunstância. Antes de iniciar qualquer atividade física confirme junto do seu médico ou obstetra.


(1) - Polden, Margie. Whiteford, Barbara (1993) Execícios pós-parto, Lisboa publicações Dom Quixote




 
 
 

Stress, preocupações, trabalho, poucas horas de sono, por vezes ansiedade e até mesmo depressão são coisas que podem estar presentes na vida de uma mãe. No entanto o Yoga, atenção não sendo uma terapia em momento algum, pode ser, contudo, uma forma de manutenção do stress e bem-estar representando mais uma ferramenta que a mãe pode ter a sua disposição para a seu bem-estar e dos seus filhos.


O aumento do cortisol, a hormona do stress, é uma resposta conhecida à exposição ao stress, seja ele de carater crônico ou agudo. A depressão está, também, associada a hipercortisolemia (elevados níveis de cortisol no sangue) como resultado do híper funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (1). Este eixo consiste no conjunto do hipotálamo e a glândula hipofisária localizadas no cérebro e a glândula adrenal localiza na zona superior dos rins que trabalham em conjunto. Este conjunto de órgãos controla as reações ao stress e regula diferentes processos corporais tais como a digestão, as respostas do sistema imunitário, o humor e as emoções.


O Yoga tem sido usado como uma ferramenta que atua a nível do hipotálamo com efeitos no alívio do stress bem como na doença depressiva, devido ao facto de estar associado a uma quebra significativa nos níveis de cortisol (1).



Como se pode afirmar que a redução do cortisol produz efeito antidepressivos? Há evidências que o cortisol tenha uma interferência recíproca no fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), ou seja, níveis baixos de cortisol facilitem a formação desta proteína. O BDNF é uma proteína secretada no cérebro e na periferia que ajuda na sobrevivência neural e na neurogénese, ou seja, no processo de formação de novos neurónios no cérebro.


Até muito recentemente achava-se que os novos neurónios eram produzidos apenas até determinada altura do nosso desenvolvimento, vindo-se a demonstrar que formamos novos neurónios durante toda a nossa vida, inclusive durante a vida adulta. Níveis aumentados de BDNF relacionados a drogas antidepressivas têm sido interpretados como mecanismos neuroplásticos no alívio de sintomas depressivos (1). Segundo conclusão de outro estudo o Yoga combina os efeitos das posturas físicas, associadas ou não a meditação, a mudanças de humor e ao aumento dos níveis do BDNF (2).


Outros possíveis mecanismos adicionais de redução do cortisol com a prática de Yoga é a sua ativação do sistema nervoso parassimpático (1,2). A resposta parassimpática leva a redução da produção da norepinefrina (que funciona como um hipertensor, causando vasoconstrição) que por sua vez conduz ao relaxamento e a redução da frequência cardíaca e respiratória (1). A entrada reduzida de norepinefrina no hipotálamo pode explicar a menor libertação de cortisol (1). Por outro lado, praticas de Yoga, podem ativar o córtex pré-frontal do cérebro e a transmissão de glutamato ao hipotálamo que liberta beta-endorfina (neurotransmissor que facilita as sensações de relaxamento e bem-estar) que por sua vez reduz a produção de cortisol (1).



Apesar de estudo afirmarem que o Yoga tem um papel eficaz na redução do stress, da ansiedade e da depressão (3), outros referem que é necessário a realização de mais estudos com grupos de controlo e melhor medição dos parâmetros para poder fazer esta afirmação.


No entanto, com as evidências que temos até a atualidade, efetivamente, o Yoga tem um efeito positivo e pode ser uma ferramenta de manutenção de bem-estar e de prevenção de condições como a depressão e ansiedade e outros sintomas negativos. O aumento dos níveis de atenção, da qualidade do sono e da cognição são outras das consequências positivas que podemos beneficiar com as práticas de Yoga (3).


Qualquer pessoa, mas sobretudo tu que é mulher e és mãe, beneficias sem qualquer sombra de dúvidas de uma prática de Yoga (Yoga Pós-Parto). Podes ter na tua vida o Yoga, não só como uma forma de autocuidado, exercício físico mas também como uma ferramenta de bem-estar e gestão de stress que te ajuda a estar e a ser a melhor mãe que consegues ser.


Boas práticas

Namastê


(2) - Frente. Psiquiatria, 25 de janeiro de 2013 | https://doi.org/10.3389/fpsyt.2012.00117

(3) - O Efeito do Yoga sobre Estresse, Ansiedade e Depressão em Mulheres - PubMed (nih.gov)

 
 
 

© 2023 por Vânia Carranca, Yoga Pós-Parto

bottom of page