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Segundo a Ayurveda existem 3 #doshas: Kapha, Vata e Pitta. Kapha controla a estrutura, o Pitta controla o metabolismo e o Vata o movimento. Durante o trabalho de parto existe uma enorme força de movimento e de mudança que leva ao aumento do dosha #Vata. O espaço vazio no útero materno, que subitamente é deixado para trás pelo bebé e pela placenta logo após o nascimento são, também, um fator muito importante do aumento de Vata que está relacionado com o elemento ar. No pós-parto a mulher sente-se desenraizada, consequência habitual do aumento súbito de Vata, por isso esta precisa de cuidado, calor e carinho para pacificar o dosha exacerbado.


A automassagem Abhyanga é usada pela Ayurveda desde há milhares de anos e é uma prática antisstress e antienvelhecimento. Esta automassagem ajuda a equilibrar a mente e o corpo, aliviar a fadiga, fornecer resistência, melhorar o sono, promover uma pele melhor e aumentar a longevidade.



Abhyanga no Pós-Parto

Abhyanga é especialmente indicada para reduzir a energia Vata excessiva ou em abundância do elemento ar que se encontra muito presente na mulher após o parto e que pode te fazer sentir inconstante, ansiosa e desligada. Abhyanga consiste numa automassagem feita pelo corpo todo com movimento ascendentes e circulares com um óleo. Para pacificar o Dosha exacerbado é importante usar um óleo quente. O mais acessível será o óleo de amêndoas que facilmente e com um custo reduzido encontramos em qualquer supermercado. 


Abhyanga consiste numa automassagem feita pelo corpo todo com movimento ascendentes com um óleo. No inverno é recomendado o óleo de sésamo porque aquece e no verão o óleo de coco porque é considerado um óleo de arrefecimento.



Como fazer Abhyanga

  • Antes do seu banho, já na banheira, comece por aquecer o óleo um pouco debaixo de água quente.

  • Depois coloque um pouco nas mãos e espalhe bem, depois massagem todo o corpo cerca de 2 ou 3 minutos ou conforme o tempo que tenha disponível (mais ou menos).

  • Aplique uma pressão mais leve mas áreas sensíveis, como a parte superior do tronco, a mama, o coração e a área abdominal.

  • No abdómem massagem primeiro o lado direito e depois o esquerdo em movimento circulares para promover a digestão.

  • Importante a massagem na sola dos pés, palmas das mãos e a base das unhas. Não esquecer o rosto, orelhas e pescoço.

  • Se for lavar o cabelo pode, também, fazer massagem no couro cabeludo.

  • Faça movimentos circulares nas áreas arredondadas como pés e couro cabeludo e movimentos longos e retos nos membros.

  • De seguida tome o seu banho habitual.

  • De seguida tome o seu banho habitual, use gel de banho apenas nas áreas que realmente necessita evitando remover por completo o óleo que restou na pele e que fica a hidratar a mesma.


Nunca te esqueças, cuida de ti enquanto cuidas do teu bebé!


Boas práticas

Namastê



Atenção: O Yoga é uma prática complementar. 

Antes de iniciar qualquer prática de atividade física confirme junto do seu médico ou obstetra.

 
 
 


Os ligamentos são bandas de tecido de suporte sem elasticidade que ajudam a manter as articulações juntas. Durante a gravidez as hormonas progesterona e relaxina ajudam a que estes ligamentos distendem, o que resulta num aumento do movimento de todas as articulações, sobretudo, da cintura pélvica. Este efeito pode persistir algum tempo depois do nascimento do bebé (entre 5 a 6 meses) e provocar dores nas articulações das costas e nas articulações sacroilíacas (1).


As dores nas costas após dar à luz são bastante comuns, e o afrouxamento dos ligamentos é um dos motivos. Por outro lado, durante a gravidez vários fatores contribuem para uma alteração da postura da mulher. O aumento do volume abdominal para acomodar o bebé, o aumento de peso, o aumento da mama, a lassidão dos ligamentos e, possivelmente, a forma como a grávida encara o bebé e a gravidez.



Principalmente o aumento do volume abdominal faz com que o centro de gravidade da coluna se desloque, provocando o aumento da curvatura da zona lombar, chamada de hiperlordose. Por outro lado, sobretudo devido ao aumento mamário ocorre o aumento da cifose dorsal e como compensação uma curvatura lordótica da zona cervical com a anteriorizarão da cabeça (2). Logo após o nascimento do bebé, ocorre uma mudança ainda mais rápida no peso e novo ajuste na postura e a coluna ressente-se.


As alterações hormonais que promovem o relaxamento muscular, o aumento da barriga e redução do tónus muscular abdominal, levam a uma menor estabilidade da zona lombar, podendo ainda durante a gravidez, e depois do parto provocar lombalgias.



A hiperlordose pode causar os seguintes sintomas:(3)


·Dores nas costas frequentes;

·Dificuldade para abaixo;

·Dificuldade para carregar pesos;

·Formigamento nas extremidades;

·Dores no pescoço;

·Flacidez e sensação de fraqueza nos músculos do abdômen.



Por outro lado, todos os desafios nos cuidados com o bebé podem representar uma nova exigência para a coluna da mãe. Amamentação em livre demanda e/ou alimentação com fórmula, carregar o bebé ao colo, colocar e retirar o bebé do berço, carregar a cadeira transportadora (ovo), o banho, entre outros. De acordo com a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, inicialmente as mães carregam ao colo um bebé com 3 a 4 kg cerca de 50 vezes por dia e ao fim de um ano já estão a transportar um bebé com mais de 8kg (4). Durante a amamentação e por ser um ato realizado várias vezes ao dia (a cada 1h30, 2h, dia e noite) pode levar a que a mulher adquira má postura e dores nas costas.


O aumento do volume da mama devido a lactação e a própria postura a amamentar o bebé pode levar ao fechamento do peito e contração dos músculos peitorais.


É importante a recuperação do tónus muscular abdominal para o reforço da zona lombar, reposicionamento correto, aliviando a hiperlordose e readquirindo um alinhamento vertebral mais natural. É igualmente importante ajudar a melhorar a postura, promover a expansão do peito e aumentar a consciência corporal da mulher no seu dia-a-dia, dando mobilidade a zonas com sobrecarga.


Boas práticas

Namastê


Atenção

Uma prática de Yoga não é uma terapia. A prática de Yoga não inviabiliza um seguimento médico e/ou terapêutico em nenhuma circunstância. Antes de iniciar qualquer atividade física confirme junto do seu médico ou obstetra.


(1) - Polden, Margie. Whiteford, Barbara (1993) Execícios pós-parto, Lisboa publicações Dom Quixote




 
 
 

Para aumentares a tua disponibilidade para as práticas de Yoga pós-parto, teres o teu bebé ao lado pode representar o cenário ideal, retiramos assim um motivo para que deixes de praticar. Uma prática de Yoga na presença do teu bebé pode ajudar-te a reforçar os laços afetivos e permite, por outro lado, que cuides de ti enquanto cuidas do/a teu/tua filho/a.


É de extrema importância que o teu bebé esteja em segurança enquanto praticas Yoga e é, por isso, natural que tenhas de dividir a tua atenção entre a prática e o bebé sem prejuízo para eficácia das técnicas que estás a realizar. É fundamental seguires as regras de segurança, que naturalmente os pais são informados pelos pediatras nas primeiras consultas do bebé, nomeadamente para o sono em segurança e para evitar quedas ou asfixia.



Numa prática de Yoga pós-parto é importante:


- Que a sala de prática esteja a uma temperatura entre os 18º e os 20º Celsius (1);


- Se o bebé estiver a dormir deves de o colocar em local apropriado seguindo todas as regras de segurança de sono e sobre a tua vigilância;


- Se o bebé estiver acordado deves de o colocar em um local seguro (no tapete, por exemplo, numa alcofa ou ovo de transporte), sobre a tua vigilância;


- Bebés que já gatinham ou estão a dar os primeiros passos, podem ter tendência a querer trepar pela mãe. Aqui, deves de adotar uma atenção redobrada para que nenhum movimento enquanto realizas um asana derrube o teu bebé;


- Aquando da realização de posturas de equilíbrio e/ou esforço muscular, seja de que tipo forem (sentada, de pé, sobre as mãos, sobre uma perna) deves de estar afastada o suficiente do bebé, sem o perder de vista, para o caso de algum desequilíbrio ou até mesmo no caso de queda não possas magoar o teu bebé;


- Se tu sentires necessidade ou o teu bebé, podes pegar nele/a (nos braços, no colo, nas coxas ou em cima da barriga) para realizar alguma postura, desde que esta não seja uma postura de equilíbrio (seja de que tipo for) e/ou que sejam exigentes a nível muscular, para que, desta forma, a segurança do bebé não seja colocada em causa.


- Sempre que for necessário podes e deves de interromper a prática para atenderes o bebé, seja por necessidades físicas, necessidade de afeto e/ou atenção, seja por necessidade de realizar qualquer cuidado ao bebé.


- Tanto na meditação quanto na realização de pranayama é importante que mantenhas a tua atenção, também, no bebé. Por isso não é aconselhável que feches os olhos. No entanto para que possas estar mais tranquila, na realização destas duas técnicas é uma boa altura para ter o bebé ao colo em segurança junto de ti e poderes disfrutar de olhos fechados.


Boas práticas

Namastê


Referências:


 
 
 

© 2023 por Vânia Carranca, Yoga Pós-Parto

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