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O puerpério é o período durante o qual o corpo da mãe sofre uma serie de mudanças com o objetivo de repor a situação anterior à gravidez. Este período varia entre 6 a 8 semanas.



Alguns médicos referem que as puérperas podem dar início as atividades de baixo impacto, como alongamentos e caminhada, 15 dias após o parto vaginal e 30 dias após a cesariana (1). Contudo, para atividades mais exigentes e para que seja totalmente seguro, a mulher deve de aguardar entre 6 a 8 semanas (normalmente é dentro deste período que a mãe faz a consulta pós-parto) e ter a confirmação médica para dar início ou reiniciar as práticas de Yoga pós-parto. Este período pode ser diferente de mulher para mulher e vai depender da existência ou não de complicações ou desafios durante e após o parto. Portanto é de enorme importância respeitar este tempo e só dar inicio a atividade física após autorização médica.


“É de enorme importância respeitares este tempo e só dares início às aulas de Yoga Pós-Parto após autorização médica e quando te sentires preparada para isso.

Por outro lado, é importante respeitares o teu tempo. Só deves regressar as práticas de Yoga caso te sintas bem, quer física quer emocionalmente. Isso pode demorar semanas, meses ou até anos. No entanto caso a recuperação de algumas alterações do pós-parto não tenham ocorrido naturalmente (diástase e/ou hiperlordose lombar e/ou enfraquecimento do pavimento pélvico) é sempre importante fazer práticas de Yoga adaptadas.



Os primeiros meses podem ser de muitas novidades e desafios, sobretudo a nível de descanso e sono. Contudo, numa fase inicial, é normal que teu foco esteja muito no bebé, mas aos poucos é saudável que voltes a dar atenção e sintas necessidade de te cuidares também. A possibilidade de poder praticar Yoga junto do teu bebé permite-te uma maior disponibilidade para te permitires ter este tempo de autocuidado e usares o Yoga Pós-Parto como uma ferramenta de manutenção do teu bem-estar, entre outras a que podes recorrer.



Quando podes iniciar o Yoga Pós-Parto



Após a confirmação médica e da tua disposição para começar ou recomeçar a praticar Yoga, as práticas serão, para além de adequadas e adaptadas ao pós-parto, conduzidas de forma gradual respeitando o tempo de cada praticante e a disposição no momento da prática. Face aos desafios que a maternidade carrega consigo, é importante salientar que uma prática de Yoga Pós-Parto pode não ser baseada em posturas psicofísicas (asana). Caso a praticante não esteja fisicamente disposta, uma prática de Yoga pode ser baseada em exercícios respiratórios (pranayama), relaxamento e meditação a fim de respeitar as necessidades da praticante.


As referências indicam que mulheres que já praticavam exercício físico, antes da gravidez, devem de reduzir a intensidade nos primeiros meses depois do parto e evoluir de forma gradual (2). Para as praticantes de Yoga, sendo esta também um tipo de atividade física (e não só) devem de seguir as mesmas recomendações.



O mais importante!


É de crucial importância respeitares este tempo de recuperação natural do corpo, respeitares o teu tempo, que necessariamente será diferente para cada mulher e evoluir de forma gradual na prática. E sobretudo, mais do que recuperar o "corpo antes da gravidez" (que não é o objetivo do Yoga Pós-Parto), o mais importante é restaurares e integrares um novo equilíbrio na tuas várias vertentes, física-mental-espiritual.


Boas práticas

Namastê




Atenção

Uma prática de Yoga não é uma terapia . A prática de Yoga não inviabiliza um seguimento médico ou terapêutico em nenhuma circunstância. Antes de iniciar qualquer atividade física consulte o seu médico ou obstetra.

 
 
 

Dukkha, Maya e Ahimsa


Em momento algum uma prática regular de Yoga pós-parto (ou de outro tipo de Yoga) deve ser vista como um meio para alcançar uma determinada forma física. No caso da fase pós-parto, a forma física anterior a gravidez. O Yoga é mais do que isto, e na verdade não é isto. O Yoga não é uma imagem, o Yoga é uma forma de autoconhecimento e uma forma de transcender dukkha, o sofrimento.

O nascimento de um filho na vida de uma mulher (e de um homem) representa uma mudança de grande dimensão e alcance. Os desafios emocionais e físicos são muitos e difíceis e deve ser respeitado o tempo de adaptação da mãe, permitindo que esta tenha uma reconexão consigo e com as transformações que sofreu, quer no seu corpo, quer na sua vida e consequentemente uma conexão com o seu bebé.


Em nossas vidas, a mudança é inevitável. A perda é inevitável. A felicidade reside na nossa adaptabilidade em sobreviver a tudo de mau.” Buda

Antes de qualquer prática de Yoga no tapete é importante que a mãe tenha a plena consciência de maya, a ilusão. A ilusão que socialmente nos é mostrada, quer pelos testemunhos de outras pessoas que mostrada na internet através de um testemunho visual, muitas vezes altamente manipulado. A ilusão de uma maternidade, de uma mãe e de um bebé perfeitos. Esta é uma ilusão que pode conduzir a um grande sofrimento, dukkha, não porque as mães têm consciência desta ilusão, mas sim, de que não são capazes de alcançar tais padrões, acreditando que é nelas que está o problema.

Um dos primeiros passos é romper com esta ilusão! Não existem mães perfeitas capazes de dar conta de tudo, não existem bebés perfeitos que dormem a noite toda e que não choram. Não existe o voltar ao corpo de antes da gravidez porque simplesmente isso é impossível. Nós, o nosso corpo, a nossa vida está em constante mudança e transformação, e não seria de esperar o contrário.



Yoga e Maternidade


Após ultrapassar esta ilusão o segundo passo é Ahimsa, a não violência. É importante que a mãe seja compassiva consigo mesma, com as suas transformações, com as suas dificuldades e numa prática pós-parto com as suas limitações e aceitar as adaptações necessárias. Não ser violenta nos seus pensamentos, na sua autoexigência, distanciando-se das ilusões sociais e das suas próprias ilusões.

O Yoga pós-parto e o Yoga na gravidez é uma prática de ahimsa, como, aliás qualquer pratica de Yoga. Respeita o corpo e o emocional da mulher, ajuda-a a caminhar nesta nova jornada e na sua transformação de forma compassiva e tranquila. É por isso uma ferramenta importante que pode acompanhar a mulher no pós-parto e para o resto da sua vida.


Boas práticas

Namastê




Atenção

Uma prática de Yoga não é uma terapia. A prática de Yoga não inviabiliza um seguimento médico ou psicoterapêutico em nenhuma circunstância.

Antes de iniciar qualquer atividade física consulte o seu médico ou obstetra.

 
 
 

Como a Medicina Ayurveda compreende as transformações físicas, emocionais e energéticas no puerpério — e porque cuidar de Vata é essencial nesta fase.


O Yoga e a medicina Ayurveda são ciências irmãs da tradição védica hindu que visam o equilíbrio do corpo e da mente. A Ayurveda ensina a equilibrar o corpo e a estabilizar a mente através de técnicas de limpeza interna, práticas de purificação, hábitos alimentares saudáveis e rotinas adequadas a cada tipologia ou dosha. O Yoga consolida as práticas da Ayurveda trabalhando a estabilidade, resistência e flexibilidade do corpo e da mente usando técnicas bioenergéticas.



O Vata e o Pós-Parto

O trabalho de parto existe uma enorme força de movimento e de mudança que leva ao aumento do dosha Vata.

Segundo a Ayurveda existem 3 doshas: Kapha, Vata e Pitta. Um dosha é o tipo de corpo, e para encontrar a origem profunda dos tipos de corpo, a Ayurveda olha para o ponto de encontro entre mente e corpo. Sempre que se dá um evento na mente, dá-se um evento correspondeste no corpo. O Kapha controla a estrutura, o Pitta controla o metabolismo e o Vata o movimento.


Durante o trabalho de parto existe uma enorme força de movimento e de mudança que leva ao aumento do dosha #Vata. O espaço vazio no útero materno, que subitamente é deixado para trás pelo bebé e pela placenta logo após o nascimento são, também, um fator muito importante do aumento de Vata que está relacionado com o elemento ar. No pós-parto a mulher sente-se desenraizada, consequência habitual do aumento súbito de Vata, por isso esta precisa de cuidado, calor e carinho para pacificar o dosha exacerbado.



No pós-parto a mulher sente-se desenraizada, consequência habitual do aumento súbito de Vata, por isso esta precisa de cuidado, calor e carinho para pacificar o dosha exacerbado..”

Nas 6 semanas após o nascimento do teu bebé, ocorrem no teu corpo mudanças intensas, por vezes severas (passagem de grávida a lactante), estás numa fase especialmente vulnerável tanto a nível físico como mental e também espiritual. Toda a nutrição, cuidado e amor que recebes é naturalmente retribuído em amor, atenção, cuidado e proteção ao recém-nascido e a toda a família em redor. Neste sentido a medicina milenar indiana considera que durante o parto também é dada à luz uma nova mãe, delicada e sensível tal como teu bebé recém-nascido, e por isso, tu deves ser a grande prioridade. Contrariamente ao que acontece no ocidente, em que o foco total é colocado no bebé, a depressão pós-parto tornou-se mais comum do que deveria pois não se tem em conta que o bem-estar e cuidados do bebé recém-nascido dependem, quase na totalidade, do bem-estar físico e do equilíbrio mental e emocional da mãe.


Um Vata desequilibrado pode apresentar como sintomas, a insónia, problemas na lactação, obstipação, pele seca e articulações secas e doridas. Sensação de frio, indigestão e cólica. A nível mental pode se instalar na mãe e dominar esta pelo medo, a confusão e por fim pode-se instalar uma depressão pós-parto. Restaurares os dosha possibilita que o teu sistema mente corpo se encontre em equilíbrio, esteja saudável e em evolução acompanhando esta fase de grandes alterações.



É fundamental nesta fase teres também foco em ti própria e na prevenção do desequilíbrio do Vata. É fundamental que sejas cuidada e te cuides através da nutrição Ayurvédica, mantenhas um estilo de vida saudável (dentro dos possíveis, pois sabemos que o teu sono, por exemplo, ficará, muito provavelmente, afetado), ter muita atenção ao autocuidado e não deves sentir que cuidar de ti não é uma prioridade ou um egoísmo. Cuidar de ti é fundamental para o bem-estar do teu bebé. Segundo a Ayurveda a pratica de Yoga Pós-Parto tem grande importância neste restabelecer do equilíbrio do Dosha Vata e deve ser uma prática que tem esse objetivo primordial, equilibrar Vata e por isso tem posturas que deve ser realizadas e outras que devem ser evitadas, caso contrário podem exacerbar ainda mais este desequilíbrio. A meditação é fundamental para te manter enraizada tanto na gravidez como depois desta e pode ser praticada sempre sem qualquer contraindicação.


Sei que nos primeiros tempos após o nascimento do bebé pode ser muito difícil encontrares tempo para este autocuidado, sem criar pressão ou expectativas, aos poucos a rotina encontra um novo fluxo e vais conseguindo criar novas formas de autocuidado em que podes incluir o Yoga Pós-Parto e a Meditação.


Não desistas de ti, pois é através de ti que o teu bebé vive nestes primeiros anos de vida. O que muda no pós-parto? Ayurveda e o desequilíbrio de Vata


Atenção

Uma prática de Yoga não é uma terapia. A prática de Yoga não inviabiliza um seguimento médico e/ou terapêutico em nenhuma circunstância. Antes de iniciar qualquer atividade física confirme junto do seu médico ou obstetra.

 
 
 

© 2023 por Vânia Carranca, Yoga Pós-Parto

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